Falta consenso para retirada de sacos plásticos de supermercados

Os EUA consomem 90 bilhões de sacolas plásticas por ano. Há três anos, São Francisco, na Califórnia, foi a primeira cidade do país a banir o uso de sacolas de plástico em supermercados e lojas de conveniência. Outras cidades da região, como Palo Alto e Oakland, fizeram o mesmo.

Mas ao invés de incentivar o uso de sacolas de tecido reutilizáveis, a lei induziu o plástico a ser substituído por papel, que por ser reciclável não foi proibido. Os críticos acusaram que a troca foi inócua, já que o consumo de água, corte de árvores e custos de transporte na produção das sacolas de papel podem ter impactos ambientais ainda piores. Em Oakland, grupos ligados a indústria de sacolas de plástico recorreram contra a lei e ganharam, baseados no argumento de que a proibição das mesmas não considerou o impacto ambiental da sua substituição por papel.

O Rio de Janeiro está prestes a implementar uma regulação semelhante, aprovada em julho de 2009. Em dois meses, os estabelecimentos de grande porte terão que substituir as sacolas de plástico e já estão se mobilizando para ganhar tempo e entrar com recursos contra a nova lei. Aqui também o papel não foi proibido.

Ao invés de proibir determinados tipos de sacolas, a solução mais eficaz seria taxá-las. Assim, para economizar, os consumidores seriam naturalmente induzidos a usar a alternativa de pano e os legisladores não precisariam escrever uma lei com muitos detalhes. Esse arranjo está ganhando defensores nos EUA. Deveríamos acompanhar a discussão por lá, para encurtar o caminho aqui.


Rio de Janeiro
– A Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou, no dia 17 de maio, uma audiência pública para analisar a aplicabilidade da lei que proíbe o uso de sacos plásticos em supermercados. Aprovada no ano passado pelo Legislativo estadual, a lei vem causando polêmica e resistência por parte dos supermercados.

O presidente executivo da Associação dos Supermercados do estado (Asserj), Aylton Fornari, afirmou que a lei não pode ser cumprida dentro do prazo estabelecido. O objetivo da lei é acabar com um dos grandes vilões da poluição e que afeta a população fluminense principalmente no período das chuvas. Os sacos plásticos são responsáveis pelo entupimento de grande parte dos encanamentos e pioram ainda mais a situação dos alagamentos nos municípios.

“Seria muito bom que pudéssemos acabar com o saco plástico, mas a lei está confusa. Ela diz que temos de substituir o material, mas não diz pelo que temos de substituir”, afirma Fornari. Ele disse ter conversado com o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani (PMDB). “Ele disse que mesmo com problemas, o texto seria aprovado, mas prometeu que seria criada uma comissão para estudar melhorias para a lei. Nesse tempo, temos procurado insistentemente uma solução e essa comissão não se formou”, acrescentou.

“Não somos contra a lei, pelo contrário, até porque somos parte da população. Enquanto não há uma solução, a gente tenta minimizar os problemas”, admite.

Entre os artigos da lei, Fornari também critica a obrigatoriedade de os estabelecimentos receberem os sacos usados pelos consumidores. Ele alega que os supermercados podem ter problemas com a vigilância sanitária por “receber lixo em local onde armazenam alimentos”.

A Lei estadual 5.502/09, sancionada em 15 de julho de 2009, prevê o recolhimento e a substituição de sacolas plásticas por bolsas retornáveis nos estabelecimentos comerciais. Ela também prevê a fiscalização nas redes de supermercados. Quem não cumprir a lei ficará sujeito a penalidades, entre elas multa que pode chegar a 10 mil unidades ficais de Referência (Ufir).

Uma reunião, na semana passada, entre representantes dos supermercados, parlamentares e a Secretaria estadual de Ambiente para discutir o uso das sacolas plásticas foi marcada por atritos entre os participantes.

A Asserj tenta prorrogar por um ano o prazo estabelecido por lei para empresas de médio e grande portes, que vence daqui a dois meses. Para as micro e pequenas empresas o prazo é de dois a três anos. Caso isso não ocorra, a Asserj afirma que sua assessoria jurídica estuda a possibilidade de ir à Justiça contra artigos da lei estadual.

O deputado estadual Carlos Minc (PT), ex-ministro do Meio Ambiente e vice-presidente da comissão temática da Assembléia do Rio, foi incisivo ao defender a legislação aprovada. “Essa lei foi discutida por dois anos. Preparem-se, porque é essa lei que vai entrar em vigor”, disse Minc. “A lei é essa, e quem não cumpri-la vai ter fiscalização na porta”, alertou. (Fonte: O Eco/ Agência Brasil)